segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

EXCLUÍDOS

São poemas que não se encaixam nos grupos anteriores ou que virão.


ZERO

O zero é perfeito.
Um círculo
Onde pode caber
Números, coisas e pessoas...
Tudo ao quase infinito valor de π
E sob o signo da aliança
Cuja neutralidade precisa a comunhão.

Pena, o zero não ser
Apenas um ser perfeito...

Mas, também, o perfeito vazio
Por dentro e por fora.


Leandro Monteiro


UM

O um é algo.
É tudo ou nada.
É número...
Mas é animal,
É homem
(no sentido genérico do ser)
Em toda sua singularidade.

O um é subestimado,
Superestimado
Em quantidade
Em qualidade
(respectivamente)
Do que possa ser,
Ter ou fazer...
Não importando o quê.

O um se basta
Se o mesmo o faz.
Mas não se cria
(Pelo menos para o ser sexuado)
Pois  quem o faz não é um, mas dois.

O um é, em suma,
O começo
Do que não se sabe
Se terá fim...
Seja número,
Seja coisa
Nesse cósmico ínterim.


Leandro Monteiro


OITO

O oito é um paciente invertido:
De pé, em saúde, é limitado
Em todos os sentidos;
Porém quando deitado,
Doente, é ilimitado
Pois é sempre infinito.


Leandro Monteiro



O MAPA DA MINA

Todos buscam umas pedras brilhantes

E que estão muito embaixo do carvão:
Procuram, ansiosos, diamantes;
Que eram pedregulhos fósseis, senão.


Você! Chega de declamar poemas!
Este não é nosso principal lema!
O lema, por aqui, sempre é trabalho!
Trabalhar pra lucrar! Ganhar salário!


“Até que, enfim, descobri... achei! Carvão!”
“É somente um carvão... Porém, dos bons viu?”
“Já tentamos o achar nos grandes rios...”

“E, também, em fossos bem mais profundos...”


Você! Sim, você! O que inda está pensando?!
Temos inda muito para fazer!
Vai, Vai, Vai!... Trabalhando, trabalhando!...
E pare de ficar pensando, verme!





Leandro Monteiro



O Dia:

Sol a brilhar, mas
A manhã inicia quando
Eu começo a olhar.

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