sábado, 16 de março de 2013

VASOS

Um poema velho (escrito por volta de 2003-2004, reelaborado este ano (2013).




Tinham dois vasos
Em meu quarto:
Um de forma esbelta:
Outro, esquelética.

Neste vaso esbelto
Eu escondia a minhas
Ilusões e alegrias,
Os quais, se triste, eu bebia.

Noutro, esquelético,
Está o desespero,
Os gritos presos todos
Como um encosto...

O vaso esbelto vivia
Cheio de comidas;
Alimentava minha vida
Que, em geral, me cansava.

Mas, de repente, sumiu.
O vaso que estimava,
Roubaram-me, na cara,
E ninguém, ninguém viu!

E outro ninguém o rouba
Já que sabem da lenda
Da antiga caixa de Pandora
Que cheira mal, além de feia...

Ser como uma medusa
Que não tem temor
De ir para uma luta,
Já que é o próprio terror.

Contrário, aquele vaso,
Tão lindo, mas tão frágil,
A uma desses acasos,
Confiar a um amigo!

Este vaso que eu tinha
Que me tornava como ferro,
E as emoções ele retinha...
Este vaso, amigo da alegria.

Ah! Se fosse o outro!
Vaso de egoísmo, escroto,
Em si mesmo, por dentro!
Ah! Como me dera um alento!

Ver esse estragando alimentos,
Que vêm a provocar-me
Ânsia, náusea, desespero...
Ah! Como queria que o roubassem!

Tinha um vaso
Em meu quarto,
Agora não o acho...
Roubaram-me...

Dentro dele, o meu sonho;
Que agora tento encontrar,
Em meio a lutas contra encostos,
Para a minha vida continuar.




 Leandro Monteiro



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